O crescimento infantil é um dos sinais mais importantes de saúde e desenvolvimento. É comum ouvirmos frases como “cada criança tem seu tempo”, mas quando o ritmo de crescimento está abaixo do esperado, pode ser um alerta. O crescimento lento em crianças merece atenção, pois pode estar relacionado a fatores genéticos, hormonais ou até mesmo a condições de saúde que precisam ser investigadas.
Neste artigo, vamos conversar de forma clara e acolhedora sobre como identificar o crescimento lento, entender o papel da curva de crescimento infantil, conhecer os exames mais comuns e saber quando procurar um especialista em crescimento infantil.
Crescimento lento em crianças: quando desconfiar?
Nem sempre é fácil perceber que a criança não está crescendo como deveria. Muitas vezes, os pais só notam quando comparam com colegas da mesma idade ou quando as roupas parecem servir por tempo demais.
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o crescimento infantil deve ser acompanhado pelas curvas de percentil. Uma criança pode ser considerada com crescimento lento quando sua estatura está abaixo do percentil 3 ou quando há queda significativa de percentis ao longo das consultas.
Além disso, o ganho de altura muito menor do que o padrão anual (menos de 4 a 5 cm por ano em crianças maiores de 3 anos) também é um sinal de alerta. Outro ponto importante é observar a proporção entre peso e altura.
Quando o crescimento em altura está comprometido, mesmo que o peso esteja adequado, pode haver um problema subjacente. Esses sinais não devem ser ignorados. O acompanhamento regular com o pediatra é essencial para identificar precocemente qualquer alteração e, se necessário, encaminhar para um especialista em crescimento infantil.
Tabela de referência da OMS — altura para idade (percentis)
Para um melhor esclarecimento, veja a tabela abaixo:

Essa tabela mostra como os percentis funcionam:
- Percentil 3: indica crianças com altura muito abaixo da média, podendo sugerir crescimento lento.
- Percentil 50: representa a mediana, ou seja, metade das crianças está acima e metade abaixo desse valor.
- Percentil 97: indica crianças com altura muito acima da média.
O impacto emocional do crescimento lento
Não podemos esquecer que o crescimento não é apenas físico. Crianças que se sentem menores que os colegas podem enfrentar situações de bullying ou baixa autoestima. Por isso, além da investigação médica, é importante oferecer apoio emocional e reforçar que cada criança tem seu valor e potencial.
Como funciona a curva de crescimento infantil?
A curva de crescimento infantil, também chamada de gráfico de percentil, é uma ferramenta usada mundialmente para acompanhar o desenvolvimento da criança. Ele compara peso, altura e índice de massa corporal com padrões estabelecidos para cada idade e sexo.
Funciona assim:
- Cada consulta médica registra altura e peso da criança.
- Esses dados são colocados em gráficos que mostram percentis (por exemplo, 3, 50 ou 97).
- Se a criança se mantém em um percentil estável, significa que está crescendo de forma adequada.
- Quando há queda de percentil ou estagnação, pode ser sinal de crescimento lento em crianças.
O endocrinologista pediátrico, como especialista em crescimento infantil, utiliza essa curva para diferenciar situações normais de casos que precisam de investigação.
As principais causas do crescimento lento
O crescimento infantil pode ser influenciado por diversos fatores, e nem sempre o motivo é simples de identificar. Por isso, é importante compreender que o crescimento lento em crianças pode estar relacionado tanto a características familiares quanto a condições médicas que exigem investigação. A seguir, explico melhor os principais fatores.
Fatores genéticos
Algumas crianças têm pais de baixa estatura e, naturalmente, seguem esse padrão. Nesses casos, o crescimento é mais lento, mas proporcional e saudável, sem prejuízos para o desenvolvimento global. O endocrinopediatra costuma avaliar o histórico familiar e verificar se a criança está acompanhando o ritmo esperado no seu “potencial genético”.
Alterações hormonais
Problemas na produção do hormônio do crescimento ou condições como o hipotireoidismo podem comprometer o desenvolvimento. Quando o corpo não produz ou não utiliza corretamente esses hormônios, a estatura pode ficar abaixo do esperado.
É aqui que entra a importância de estimular o crescimento em crianças com acompanhamento médico adequado, já que o diagnóstico precoce permite iniciar tratamentos que podem corrigir ou minimizar os impactos.
Doenças crônicas
Doenças cardíacas, renais ou gastrointestinais podem afetar a absorção de nutrientes e, consequentemente, o crescimento. Crianças com condições crônicas muitas vezes apresentam dificuldade em ganhar peso e altura, pois o organismo direciona energia para lidar com a doença.
O acompanhamento multidisciplinar é essencial para garantir que o crescimento não seja comprometido.
Nutrição inadequada
A alimentação é um dos pilares do crescimento saudável. Uma dieta pobre em proteínas, vitaminas e minerais pode limitar o desenvolvimento físico e afetar diretamente a estatura. Além disso, hábitos alimentares desbalanceados — como excesso de ultraprocessados e falta de alimentos naturais — podem prejudicar tanto o crescimento quanto a saúde geral da criança.
Exames de crescimento infantil
Quando há suspeita de atraso, o médico pode solicitar exames de crescimento infantil para investigar as causas. Os mais comuns são:
- Radiografia de idade óssea: avalia se os ossos estão se desenvolvendo conforme a idade cronológica.
- Exames hormonais: verificam níveis de hormônio do crescimento, hormônios da tireoide e outros relacionados ao desenvolvimento.
- Exames laboratoriais gerais: ajudam a identificar deficiências nutricionais ou doenças crônicas que interfiram no crescimento.
Esses exames são fundamentais para diferenciar um atraso constitucional (quando a criança cresce mais devagar, mas recupera depois) de condições que precisam de tratamento.
Quando procurar um especialista em crescimento infantil?
Se o endocrinologista pediátrico identificar sinais de crescimento lento, o encaminhamento para um endocrinopediatra é indicado. Esse especialista em crescimento infantil avalia o histórico familiar, analisa a curva de crescimento infantil e solicita exames específicos.
O diagnóstico precoce é a chave para o sucesso de qualquer tratamento. Em casos de deficiência de hormônio do crescimento, por exemplo, a reposição pode trazer resultados muito positivos, desde que iniciada no momento certo.
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Em resumo, o crescimento lento em crianças não deve ser ignorado. Embora em alguns casos seja apenas uma variação genética ou constitucional, em outros pode indicar problemas hormonais ou de saúde que precisam de tratamento.
O acompanhamento regular com o endocrinologista pediátrico, o uso da curva de crescimento infantil e a realização de exames de crescimento infantil são passos essenciais para garantir que a criança tenha um desenvolvimento saudável.
Dr.ᵃ Amanda Soeiro — Endocrinologista Pediátrica

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